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Volkswagen

O escândalo das emissões da Volkswagen explicado

24 de Setembro de 2015 às 14:42

O escândalo das emissões da Volkswagen explicado

24 de Setembro de 2015 às 14:42
Volkswagen


O mundo foi sacudido por um grande escândalo na indústria automóvel. A gigante alemã Volkswagen está a preconizar um dos golpes mais sofisticados da história que envolve a saúde do planeta e cerca de 11 milhões de viaturas.Mas como terá a marca alemã conseguido enganar anos a fio os mais elaborados testes e especialistas responsáveis por fiscalizar as emissões de óxidos de azoto?
Há muito ainda a explicar, mas há um rosto por trás: Martin Winterkorn, agora ex-presidente da Volkswagen, depois do escândalo demitiu-se. Há quem o aponte como um criminoso, pelo sofisticado esquema que estava em acção. Quem foi afectado com a manipulação dos valores das emissões?A Volkswagen anda há anos a manipular os testes de emissões a que os carros são sujeitos. Esta acção tinha como objectivo mostrar que os Volkswagen (VW) eram menos poluentes que o que eram na realidade. A falcatrua levou a que a Agência de Protecção Ambiental norte-americana sinalizasse pelo menos 482 mil VW a diesel que circulam pelas estradas americanas a emitir 40 vezes mais gases tóxicos do que a lei permite.A Volkswagen já veio admitir que no mundo possam existir 11 milhões de viaturas com este logro. O que é NOx?
O gás que é emitido 40 vezes mais que o permitido e que está no centro deste crime ambiental chama-se óxidos de azoto (fórmula química: NOx). Este gás é a soma das concentrações de monóxido de azoto (NO) e dióxido de azoto (NO2), adicionadas como partes por mil milhão e expressas em microgramas por metro cúbico de dióxido de azoto.Estes compostos formam-se por combinação dos átomos de azoto e de oxigénio da atmosfera, em condições de alta temperatura e alta pressão, na combustão dos motores dos automóveis. Os óxidos de azoto (NOx) contribuem para a formação das chuvas ácidas e do nevoeiro fotoquímico e, alguns deles, como o dióxido de azoto (NO2), podem causar irritações nos pulmões e diminuir a resistência às infecções respiratórias (asma, por exemplo). Os grupos mais sensíveis a estes poluentes são as crianças e a população com doenças respiratórias. Qual é o impacto desta manipulação de resultados ?
Segundo a Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), os veículos da Volkswagen no país emitiram entre 10,392 e 41,571 toneladas de NOx por ano, isto se estivessem a ser avaliados pelos padrões de emissões modelo 2016.Se for considerado o cenário mundial com os valores similares aos dos Estados Unidos, então 11 milhões de automóveis VW terão colocado na atmosfera entre 237,161 e 948,691 toneladas de emissões de NOx, por ano. O que significa para o ambiente?
Isso significa que as emissões de NOx são as mais prejudiciais, incluindo o dióxido de azoto. Foram bombeadas para o ar muito mais do que se pensava – numa análise, entre 250.000 a 1 milhão de toneladas adicionais por ano. O dano oculto destes veículos VW poderia equivaler a todas as emissões de NOx do Reino Unido (e várias vezes a de Portugal) a partir de todas as estações de energia, veículos, equipamento industrial e equipamento agrícola num ano.Só os veículos da VW a diesel na América poluíram tanto como tudo o resto, num país como o Reino Unido. Como é que eles fizeram a manipulação?

O “dispositivo manipulador” da VW não é um dispositivo físico, mas é sim uma aplicação de software que é colocada no motor para este perceber se está a ser conduzido em condições de teste e, nessa altura, o motor activa todos os dispositivos anti-poluição. Os motores “diesel limpos” conseguem reduzir as emissões através de técnicas como ajustar as proporções de ar-combustível e os fluxos de escape, nalguns (embora não na maioria VWs) injectar uma solução à base de ureia torna o NOx inofensivo.Quando o motor detectava que estava a ser conduzido de forma convencional, onde é exigido um maior desempenho motriz, este “dispositivo” era desligado ou ajustado para uma performance muito mais poluente, resultando num desempenho que estava prometido pelo construtor para os seus carros. 
Como sabe este dispositivo manipulador que está a ser testado ?
Quando os nossos carros vão à inspecção ou quando são submetidos a um teste de fiscalização das emissões, os veículos são colocados nos rolos e têm de ser acelerados até uma determinada intensidade e durante um determinado tempo.Os testes da EPA têm práticas e perfis conhecidos. Em muitos casos, os veículos de ensaio são colocados em rolos e expostos a uma certa velocidade por um certo tempo, em seguida, a uma outra velocidade (conhecida) por outro período (também conhecido). O computador central do carro pode detectar se as entradas correspondem aos factores esperados nas condições de ensaio. Estes testes da EPA têm práticas e perfis conhecidos e, pelos vistos, foram muito bem estudados! 
Como descobriram esta falcatrua da Volkswagen?
Uma ONG, o Conselho Internacional do Transporte Limpo (ICCT), realizou um teste independente em estrada, de emissões nos automóveis VW Passat, VW Jetta e BMW X5. Este teste foi feito em 5 estradas similares ao que é utilizado pelas simulações da Agência de Protecção Ambiental dos Estados Unidos (EPA): condução em auto-estrada, suburbano, urbano, rural e inclinação.A performance das emissões nos carros Volkswagen, e não no BMW, foram muito piores que as expectativas baseadas nos valores dos testes do Conselho Internacional do Transporte Limpo (ICCT), feitos no dinamómetro. Testes onde os carros tinham passado com distinção. Foi nessa altura que o ICCT contactou a EPA.Emissões médias de NOx como coeficiente de desvio Quais as implicações para a saúde?
Os vapores podem causar inflamação das vias respiratórias e agrava as condições de respiração de qualquer pessoa. Mas as emissões de NOx também podem reagir com outros compostos e causar doenças respiratórias mais graves, podem mesmo agravar problemas cardíacos. A exposição a longo prazo à poluição acelera a morte. Há várias pesquisas que dão conta da acção directa dos altos níveis de NOx em pelo menos 9.500 mortes prematuras por ano na cidade de Londres. Em Portugal, o trabalho nesta área é dos piores da União Europeia.Lisboa surge em penúltimo lugar no ranking Sootfree Cities das cidades europeias mais empenhadas em melhorar a qualidade do ar. Apesar dos esforços para diminuir a poluição atmosférica, como a criação da Zona de Emissões Reduzidas (ZER), a capital portuguesa ainda está aquém do exigido pela legislação europeia no que toca à promoção do transporte público e à renovação da frota municipal. Que significa isto para a VW e para os seus clientes?
A VW emitiu um recall (chamada à oficina) para os seus 482.000 carros nos EUA e suspendeu as vendas dos veículos a diesel afectados, o Audi A3, VW Jetta, Beetle, Golf e Passat. No entanto, em mais nenhum país foi anunciada acção idêntica.A empresa enfrenta uma investigação nos EUA, poderá ter de pagar uma possível multa no valor de 18 mil milhões de dólares e ainda gastar cerca de 6,5 mil milhões de dólares em correcções e em compensações. Poderá também enfrentar acusações criminais e acções civis.
Qual será o impacto para a indústria automóvel?
Embora este caso possa ser apenas na VW, a verdade é que os responsáveis governamentais vão querer dissecar cada fabricante para apertar o cerco a estes crimes. É, contudo, um alerta para que as inspecções sejam mais pormenorizadas e com atenção redobrada à existência de determinadas tecnologias.Source: Pplware.sapo.pt

Volkswagen “manipulou” o software de 11 milhões de carros

22 de Setembro de 2015 às 20:52
Software Volkswagen

É o escândalo do momento. O grupo alemão Volkswagen reconheceu ter manipulado os dados de emissão de gases poluentes dos seus automóveis nos Estados Unidos. Um dia depois, a queda das ações do grupo mantém-se e, um pouco por todo o mundo, pedem-se responsabilidades, exigem-se explicações e prepara-se um controlo mais apertado. Mais do que uma marca, são os próprios testes que podem estar em causa.


Um pouco por todo o globo, vão se multiplicando as reacções. A Coreia do Sul já convocou os representantes do grupo automóvel e Paris já defendeu ser necessário abrir um inquérito a nível europeu, pretensão apoiada pelos grupos automóveis gauleses. 
O ministro do Estado da Baixa Saxónia, entidade que detém 20 por cento do grupo Volkswagen, já assegurou que os responsáveis serão despedidos.
A Comissão Europeia já anunciou que também irá investigar a situação. A organização não-governamental International Council on Clean Transportation, citado por Le Monde, admite que também no continente europeu o grupo alemão tenha recorrido a este mecanismo.
A organização ambiental Deutsche Umwelthilfe vai ainda mais longe e admite, ao diário francês, que a possibilidade de falsificar estes dados na Europa é ainda maior, uma vez que “os construtores sabem que não há testes posteriores”.

Como era feita a falsificação?
Nos Estados Unidos, o construtor usava um software que era instalado no veículo. O aparelho conseguia perceber quando é que o automóvel estava a ser alvo de testes antipoluição de forma a falsificar os resultados. 
As autoridades norte-americanas referem que mais de 500 mil automóveis, sob as marcas Audi e Volkswagen, vêm com este software. Os Estados Unidos vão investigar outras marcas para perceber se estas também usam mecanismos semelhantes.

O construtor já admitiu, depois de realizado um inquérito interno, que este mecanismo foi instalado em 11 milhões de automóveis em todo o mundo, tendo sido incluído em todos os carros com motor a gasóleo do tipo EA189. 
Conhecido o problema, a Volkswagen fez também saber que irá colocar no orçamento do terceiro trimestre uma almofada de 6,5 mil milhões de euros para cobrir eventuais custos relacionados com o escândalo. A mera divulgação deste número fez as ações da empresa cair, momentaneamente, mais de 20 por cento.
Consequências para Portugal
O escândalo afecta, por enquanto, o grupo automóvel Volkswagen, primeiro construtor automóvel europeu e que opera sob marcas como a própria Volkswagen, mas também a Audi, a Porsche e a Skoda. Uma marca com forte presença em Portugal, através da Autoeuropa de Palmela.
Para além de colocar em causa a credibilidade de uma das maiores construtoras de automóveis a nível mundial, as quebras assinaláveis em bolsa vão prejudicar a produção e vendas da Volkswagen em todo o mundo e claro também em Portugal.
A Autoeuropa é responsável por 3600 postos de trabalho diretos, aos quais se somam muitos outros em empresas fornecedoras e que operam na área de Palmela.
A produção desta fábrica representa quase um por cento Produto Interno Bruto português e mais de três por cento das exportações portuguesas.
Source: RTP e Agência Reuters